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O Uso da Inteligência Emocional

rh5_175_151008.jpgA formação acadêmica e técnica já não são mais fatores preponderantes na avaliação de profissionais. Muitos já possuem graduação, pós-graduação e MBA antes mesmo dos 30 anos. O que diferencia um indivíduo é a capacidade de entender o contexto e tomar atitudes baseadas no ambiente.

Para isso, um fator fundamental é a utilização de sua inteligência emocional. “Um indivíduo emocionalmente inteligente consegue mobilizar suas emoções estrategicamente para alcançar suas metas. Ele consegue reconhecer, aceitar, escolher e gerenciar o que sente durante as mais diversas situações”, explica Carlos Cruz, o especialista em treinamento de executivos e equipes.

“Quem nunca teve vontade de mandar tudo para o ar? Acredito que a maioria de nós. O importante é saber que isso pode nos aliviar na hora, mas será que não trará problemas depois?”, indaga Cruz.

Segundo o especialista, em momentos de tensão, de desafios e de crises, as emoções são colocadas à prova e solicitadas para contribuírem com ações racionais que levem a busca de oportunidades e gere desenvolvimento.

No último Special Program Management, realizado em setembro, organizado pela HSM, Michael Useem (referência mundial como especialista em liderança) ressaltou: “conhecemos um verdadeiro líder no momento de crise”. A situação atual, de instabilidade financeira no mundo, é um dos típicos exemplos que exige muito controle emocional.

O investimento na melhora do clima organizacional, talvez, seja uma das saídas para aumentar a satisfação dos funcionários. Contribuindo, assim, para um maior equilíbrio emocional. Depois disso, basta mensurar os resultados e avaliar se valeu à pena investir nas pessoas.

Fonte: Portal HSM On-line
15/10/2008

nelsonss16-10-2008 GTM -3 @ 14:23 Tags:
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Histórias Possíveis do Mundo Corporativo

Poder S.A.Baseado em fatos, o livro traz à tona as conversas de corredores das diferentes empresas que habitam o importante prédio situado no bairro do Itaim, na cidade de São Paulo, o SP Centrale Downtown Financial Center.
Seus 20 andares são testemunhas das personagens mais estranhas do universo corporativo que vivem em eterna tensão e competição pelo melhor cargo, salário e bônus anual. No total, dez empresas de ramos complementares trazem histórias hilárias e, o mais triste, verdadeiras. "Poder S.A." abre o backstage das diferentes Companhias, Ltda.s e S.A.s, em que se é possível perceber a sordidez e a política de boa vizinhança mentirosa imposta na seara empresarial.
Escrito por um ex-executivo do mundo dos negócios, que passou por grandes empresas da Publicidade, Varejo, Internet e Construção Civil, o livro é uma versão mais corporativa do Diabo Veste Prada, cujo texto vem com o mesmo humor ácido do seriado The Office, em que funcionário e patrão trocam as máscaras de vítima e torturador dependendo do seu interesse. Poder S.A. faz empregado e empregador refletirem sobre os caminhos traçados e escolhidos por cada um.

nelsonss03-10-2008 GTM -3 @ 11:32
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Gerentes e Dinossauros: tão distantes e tão próximos


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Os gurus da administração fazem o possível e o impossível para ocultar o lado irracional das relações entre lideres e liderados. Admitir o fato complicaria a racionalidade mecânica das suas teorias sobre liderança, negociação, motivação e congêneres, sempre pautadas em promessas do tipo “faça isso e você conseguirá aquilo”.

Nas inúmeras e criativas metáforas sobre organizações que cunharam (até inventaram uma tal de organização espaguete)1, nunca lhes ocorreu a possibilidade das organizações terem seus dias de Jurassic Park.

Vejamos. Segundo os paleontólogos, os dinossauros desaparecerem da face da terra há 64-66 milhões de anos. Pairam controvérsias e dúvidas sobre as causas da extinção massiva, mas como ninguém até o presente momento reportou a alguma autoridade ter visto um Alossauro Polar andando pela Avenida Paulista, assume-se que os bichanos estão mortinhos da Silva.

Bom, essa história de ninguém viu vale mais para cientistas e pessoas sensatas, pois há quem suspeite que eles e o Elvis ainda vivam. Por favor, contenham a vontade de rir ou zombar, pois, os crédulos têm razões que a própria razão desconhece. Tudo depende de como conceituamos o que é “viver” ou “sobreviver”.

Elvis continua um ícone e seus discos vendem milhões até os dias atuais. “Tá bom! Essa é fácil” - dirão os céticos: “duro vai ser explicar a história dos dinossauros”. Espero não desapontar ninguém, mas defender a tese vai ser uma barbada.

Sucede que o grande lagarto sobrevive onde menos esperamos encontrá-lo: em nós! Mais especificamente em nossos cérebros, comportamentos e sentimentos. “Imagine o cérebro humano como um sanduíche evolutivo, um córtex (centro do pensamento e da lógica) empilhado no topo de um cérebro de dinossauros (...) com uma camada a que chamamos de sistema límbico no meio”2. Essa camada surgiu a partir da emergência dos mamíferos mais antigos com a função de contribuir para a sobrevivência da espécie.

Sim, senhores, somos dinossauros de terno e gravata, diplomados, com CPF, RG, cartão de crédito e outras quinquilharias que acreditamos provar nosso progresso. Mas o Dino está lá na moita. Na dúvida, tente ultrapassar um motorista que trafega na pista da esquerda a 40 km por hora, diga para o seu chefe que ele é incompetente, questione a moral do seu subordinado, sonegue-lhe os direitos ou méritos e você viverá fortes emoções.

A questão é que fomos socializados a duras penas e, apesar dos séculos de esforço civilizatório, alguns preferem ir direto ao ponto sobre “quem manda neste pedaço”. Eu, por exemplo, sou assim quando o assunto é o controle da TV.

A lei da selva está claramente presente na conduta dos chefes autoritários, dos subordinados rebeldes, dos manda chuvas da vida e dos flanelinhas. A técnica é intimidar o interlocutor física, psicológica ou moralmente e assim impor a própria vontade, interesses, caprichos.

Normalmente, quando os intimidados decidem brincar de Jurásic Park : (a) contra atacam o oponente com igual ou superior violência; (b) enfiam o rabo embaixo da perna e fogem da raia; ou (c) ficam inermes, paralisados, sem saber o que fazer diante da truculência de que são vitimas. Atacar, fugir ou ficar imóvel é o modus operandi clássico dos dinos de antanho e de hoje.

O problema é que as estratégias ofensivas, defensivas ou escapistas não contribuem para atingir as metas ou satisfazer os interesses pessoais, grupais, organizacionais. Ao contrário, No lugar de resolver problemas e conflitos, elas jogam gasolina na fogueira.

Evolução não significa, necessariamente, superar estágios primitivos prévios. Acreditamos na hereditariedade, na transmissão genética das características biológicas. Acreditamos no inconsciente coletivo descrito por Carl Gustav Jung como uma espécie de memória atávica da humanidade. Só não enxergamos que diferentes estágios evolutivos sobrevivem e se manifestam até hoje.

Os jogos de poder numa organização são, na essência, primitivos, ainda que os jogadores se esforcem para parecerem nobres, civilizados, altruístas.

Os jogos mais populares são:

- Eu sou o Bwana, brincadeira para reafirmar quem está no comando.

- Você sabe com quem está falando? (idem)

- Manda quem pode, obedece quem tem juízo, jogo do recado preventivo.

- É nadar ou morrer, velha lei da selva.

- Cenoura ou o chicote?, a tradicional estratégia de manipular os baixos apetites

- Siga o Chefe, ou seja, não questione, obedeça!

- Agora te peguei, Seu F.D.P., superiores que adoram flagrar os subordinados cometendo erros.

- Sexo e vantagens profissionais: assédio moral e sexual.

Portanto, fique atento e esperto. Tempere com doses cavalares de realismo a visão cor de rosa dos gurus organizacionais. Um dos deveres de um gerente é reconhecer e lidar com a realidade; depois, pode transformá-la. Procure inspiração no poeta e dramaturgo Terêncio (82 a.C. – 35 a.C) que disse “nada do que é humano me é estranho”.

Antes de tentar domar os outros, dome a si mesmo, gerenciando os próprios impulsos jurássicos. Aliás, prometo aos amigos e conhecidos que me esforçarei para seguir o próprio conselho.

 Notas:
1. Lars Kolind, CEO da dinamarquesa Oticon criou nos anos 80 o conceito de organização spaghetti.

2. Albert J. Bernstein & Sydney C. Rozen, Gerentes Inteligentes, Reações Irracionais, 1991, Makon Books, São Paulo.

Fonte: artigo de Eu

2008 

nelsonss03-10-2008 GTM -3 @ 11:30 Tags:
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Pensando Estrategicamente

Special Management Program 2008, com Michael UseemSpecial Management Program 2008, com Michael Useem 

Uma decisão depende de vários fatores, e o líder deve considerar todos. Assim o professor Michael Useem iniciou o segundo dia da palestra Momento de Liderar: como desenvolver sua liderança.

Na abertura do segundo dia do Special Management Program, que está sendo realizado em São Paulo, no auditório Vila Noah, Michael Useem começou sua exposição explicando a importância do pensamento estratégico. Por meio de discussões em grupo, reforçou, ainda, os conceitos que havia apresentado no dia anterior.

"É preciso pensar amplamente. Não tenha uma visão apenas desta semana, pense no próximo ano", estimulou o palestrante. Useem recomendou aos participantes considerar muitos fatores antes de tomar decisões: o mercado, as finanças, os recursos humanos e outros elementos que afetam o ambiente interno e externo das empresas.

Outro ponto importante diz respeito a saber o momento certo de fazer as escolhas. Segundo Useem, quando postergamos uma ação, estamos sujeitos ao impacto negativo e irreversível que pode resultar dessa demora.

Para exemplificar essa questão, lembrou de um fato ocorrido em 1991. Naquele ano, executivos do Salomon Brothers, banco de investimentos, utilizaram informações ilegais para realizar uma negociação no leilão do Tesouro do Governo dos Estados Unidos. Posteriormente, o presidente da empresa tomou ciência do negócio realizado de modo ilícito. Mas os desdobramentos do caso e a demora desse líder em tomar decisões quase levaram o Salomon à falência. Isso, inclusive, poderia ter quebrado outros dois bancos com aplicações no Salomon. Ao final do processo, o banco sobreviveu e não foi à falência. Por outro lado, toda a sua diretoria caiu e foi substituída.


Fonte: Portal HSM On-line
30/09/2008
www.hsm.com.br

nelsonss03-10-2008 GTM -3 @ 10:54 Tags:
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Momento de Liderar

O que o torna um grande líder? Quanto vale uma liderança? Com essas questões, o professor de Liderança e Management, Michael Useem, mostrou exemplos práticos de como aplicar a liderança nas empresas e entidades. Useem foi taxativo: um bom líder pode ser desenvolvido.

O professor de Liderança e Management, Michael Useem, iniciou o primeiro dia do Special Management Program da HSM, “Momento de Liderar: como desenvolver sua liderança”, explicando as qualidades que definem um grande líder.

Em sua apresentação, explorou as teorias que permeiam as técnicas de lideranças. Mostrou, ainda, como aplicá-las no dia-a-dia. Durante todo o tempo, estimulou os participantes que compareceram ao auditório do Vila Noah, em São Paulo, sempre solicitando suas opiniões sobre os assuntos abordados.

Logo no início, Michael Useem sugeriu a realização de uma dinâmica. O objetivo era aproximar os participantes e iniciar a troca de experiências entre eles. Pediu que todos se levantassem e discutissem dois assuntos durante cinco minutos. O primeiro tema era “Qual a função de um líder?”. Em seguida, os participantes deveriam refletir e apresentar para o grupo como vêm desenvolvendo sua capacidade de liderança ao longo da vida. O exercício terminou com dois participantes contando as suas experiências para os demais presentes ao workshop.

O palestrante ressaltou, ainda, a importância de desenvolver líderes. "Às vezes, as pessoas não possuem lideranças naturais. Nesse caso, é possível desenvolvê-las", garantiu Useem. Nos Estados Unidos, onde ocupa a cadeira de diretor do Wharton School’s Center for Leadership and Change da Universidade da Pensilvânia, dedica-se, justamente, ao trabalho de capacitar profissionais do mundo todo para exercer uma liderança efetiva.


Fonte: Portal HSM On-line
29/09/2008
http://www.hsm.com.br

nelsonss03-10-2008 GTM -3 @ 10:48 Tags:
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ESCOLHER, DECIDIR E MUDAR

A vida é uma sucessão de escolhas, decisões e mudanças para as quais somos empurrados com freqüência e ninguém pode cumprir o nosso papel nesse sentido. Somos inteiramente responsáveis por elas, portanto, além de ser uma necessidade permanente, escolher, decidir e mudar é a única certeza visível, uma verdade incontestável na vida pessoal e no mundo dos negócios.

De fato, diariamente somos obrigados a escolher, decidir e mudar, ou não, o que queremos para o momento seguinte, para o dia seguinte e, por vezes, para uma vida inteira, muitas vezes sob pressão, outras diante de oportunidades que podem transformar a nossa história e outras ainda quando a única alternativa nem sempre é aquela que oferece chance de nos trazer felicidade.

O fato é que precisamos escolher e decidir pelo menor custo possível, emocional, social ou financeiro, e isso determina o desenrolar dos acontecimentos, portanto, decidir é uma arte que deve ser aprendida e exercitada. Não há como fugir delas. Elas são as forças motivadoras que caminham ao nosso lado, silenciosas, para testar a nossa capacidade de realização no mundo.

Avalie o seu estado atual. Há algum tempo você escolheu o caminho, ou foi escolhido por ele, e decidiu seguir em frente. A partir desse momento sua vida tomou um novo rumo. A pessoa com que você vive, a casa onde você mora, a vida que você leva, o curso que você faz e a empresa onde você trabalha fazem parte das escolhas e decisões do passado, portanto, elas são a realidade presente.

O tempo passou e tudo o que você fez até aqui parece ter sido em vão. A vida lhe parece injusta, as dívidas se acumulam, o amor esfriou, o trabalho não faz o menor sentido. A pressão da sociedade é incompatível com a sua capacidade de absorção dos problemas e a vida continua batendo na sua cabeça. Entretanto, você já percorreu metade do caminho.

Apesar de tudo, quando o desespero bater à sua porta, lembre-se das três palavras mágicas capazes de transformar a sua vida: escolher, decidir e mudar. Embora estejam inteiramente relacionadas, elas apresentam significados e funções diferentes. De uma forma ou de outra, podem fazer a diferença na sua vida pessoal e profissional.

Escolher significa optar entre duas ou mais possibilidades antes de torná-la um hábito, uma mania, uma virtude: o bem e o mal; o certo e o errado; o preto, o branco e o vermelho. Decidir tem sua origem no latim decidere e significa cortar, romper, mudar definitivamente a condução de determinada situação ou a forma de algo que não interessa mais e, a partir daí, executar ou prender-se apenas àquilo que é essencial ou importante eliminando as demais alternativas. Mudar significa altera uma situação que já não corresponde mais às suas expectativas.

Escolher (livre arbítrio), decidir (romper o padrão) e mudar (entrar em ação) são direitos universalmente garantidos aos seres humanos em todos os cantos da Terra. A grande dificuldade é que para isso acontecer dependemos sempre de um fator motivador, geralmente quando a situação se torna insustentável.

Infelizmente, por razões que não vale a pena entender, você não muda o estado passado nem deve gastar tempo e energia sobre ele, entretanto, o futuro está em suas mãos. O estado presente é resultado de ações tomadas no passado e o estado futuro será resultado das ações que você está imaginando conscientemente enquanto lê esse texto.

Todas as pessoas passam por um momento na vida em que é necessário praticar o livre arbítrio, escolher o caminho menos doloroso e entrar em ação para mudar o estado das coisas. Você não precisa continuar levando uma vida medíocre, casado com a pessoa errada, trabalhando na empresa errada, suportando um chefe inescrupuloso ou fazendo o curso que não gosta apenas porque no passado você optou erradamente por isso.

Os erros são os maiores aliados do aprendizado e o mundo é um celeiro de oportunidades, cujas escolhas, decisões e mudanças são determinantes para a criação de uma nova perspectiva. Não se apavore pelas expectativas alheias em relação à sua pessoa. Quando você aprender a dizer não, eliminar o que não é essencial e der mais valor à sua capacidade de realização, escolher, decidir e mudar será apenas uma questão de hábito. Entretanto, os fatos não deixam de existir apenas porque são ignorados. Se você olhar apenas para o passado não conseguirá mudar o estado futuro.

De acordo com Albert Einstein, Premio Nobel de Física, "os problemas significativos que enfrentamos não poderão ser resolvidos pelo mesmo nível de pensamento que os criou", portanto, dê o primeiro passo com fé, escolha um caminho, decida o que você realmente quer e mude sua vida antes que a mão dura do destino toque seus ombros.

Por fim, pare de mentir para si mesmo, de carregar os outros nas costas ou de agradar os outros apenas para se sentir mais integrante do meio enquanto a vida passa afortunadamente diante dos seus olhos. Você é especial e, tal como milhares de pessoas bem-sucedidas, você tem direito a ser feliz, você conta. Pense nisso e seja feliz!


Artigo de Jerônimo Mendes, da AdmToday

Disponível em 22/09/08 no http://www.admtoday.com/po1376/escolher_decidir_e_mudar.html

nelsonss23-09-2008 GTM -3 @ 13:26
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GPP – Capítulo 4: Noite em Sampa.


Luciano à noiteO cansaço era grande. Despojado no sofá do quarto de hotel, Luciano tentava organizar o pensamento acerca dos fatos e dados do dia. Era ainda o primeiro e quase uma vida passava diante da sua tela mental. Esboçou um movimento para olhar pela fresta da janela a noite confusa que São Paulo proporciona aos seus visitantes. Queria saber se as estrelas ainda estavam no céu ou se as nuvens já as haviam escondido, mas o esforço seria grande. Afinal, um dia inteiro de palestras, momentos agradáveis com velhos conhecidos e até a peça do Suassuna sobre um santo de barro e uma porca cheia de dinheiro que não valia mais nada.

Finalmente reunira forças para tirar a roupa e lançar-se sob a torrente de água quente num banheiro todo revestido de granito em tons variados de preto e branco, dispondo de espelhos em grande parte das paredes. Enquanto o chuveiro ia renovando suas forças, observava-se no reflexo nebuloso do vapor d'água. Seu corpo não era mais como aos vinte anos, no auge de sua juventude. Os anos, apesar de tudo, foram bons para ele. Ao contrário de seus familiares, sua determinação em se aperfeiçoar, capacitando-se para desafios cada vez maiores, levou-no aonde se encontra atualmente, ou seja, como assistente de uma grande executiva. Reconhecido e bem remunerado, encontrava-se em condições de auxiliar aqueles que buscavam seu apoio.

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A presença da companheira também tinha sido fundamental e, embora mal lhes sobrasse tempo, seus momentos juntos eram de mais qualidade do que nos tempos difíceis. Luciano estava sempre em viagens de negócios, cruzando principalmente os céus do Brasil, de norte ao sul, ou trabalhando em seu gabinete até avançadas horas da noite. No entanto, não abria mão do café da manhã com todos juntos: além da esposa, que também trabalhava, a filha adolescente e o primogênito universitário. Aos fins de semana e sempre que podiam, curtiam passeios bastante renovadores de votos de felicidade mútua.

É verdade que essa relação havia sido abalada por desconfianças sem propósito, mas infelizmente cheia de indícios misteriosos. Primeiro, foram telefonemas anônimos no celular da esposa, procurando-o e sem deixar forma de retorno. Uma vez ainda se compreende, mas três vezes em menos de um mês... Sophia não agüentou a pressão e descarregou numa quarta-feira de compras onde Luciano precisou ficar até à noite em reunião de planejamento de um grande evento para a empresa. Cristina, sua chefe, contava com sua experiência em gerenciamento de projetos e só restou ao nosso amigo telefonar avisando que, dessa vez, a esposa fizesse compras sozinha.

_ Dessa vez?... Já estou ficando acostumada! - desabafou Sophia seguida do som repetitivo de linha interrompida.

Depois, comentários maldosos de amigas e parentes. Tudo inveja e maledicências... Todo aquele que aspira alçar profissionalmente outros patamares sabe que sacrifícios precisam ser feitos. No entanto, é necessária muita sabedoria para administrar essas crises.

O som do rádio-relógio disparava com a renovadora música "You raise me up", de Josh Groban, despertou Luciano de seus pensamentos nostálgicos e de como a vida tinha sido boa para ele e, ao mesmo tempo, sentia que não conseguia compartilhar esse sucesso com as pessoas que mais amava. A letra dizia sobre "você me faz levantar, me torna forte...” E, como um salmo, o fez forte para terminar o banho e jogar-se entre os cobertores. "A necessidade de conforto não é para os fortes, mas sim para os mortos e cansados.", pensou ele. Virou-se para dormir. Tinha sido um longo dia e o seguinte estava por vir, aguardando-o.

(continua na próxima semana)

nelsonss21-06-2008 GTM -3 @ 00:26
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GPP – Capítulo 3: Peter Drucker 1

Peter Drucker

_ "Se nos dias de hoje falamos de capital intelectual, gestão do conhecimento, gestão de competências, ambiência organizacional e muitos outros assuntos da moda corporativa, devemos em grande parte à brilhante análise de Peter Drucker. Austríaco de nascença, aos 26 anos de idade se radicou nos EUA e vislumbrou o milagre econômico do período pós-guerra e recuperação da quebra da Bolsa de New York: era o processo integrado da Standard Oil, sob a direção do famoso John D. Rockfeller, e da Ford Company, do também famoso Henry Ford. Como consultor da General Motors, de Alfred Sloan, Drucker percebeu que essas grandes corporações deveriam ser estudadas não só do ponto de vista da performance de funções econômicas, mas também das pesadas tarefas sociais e políticas. Em outras palavras, ‘a corporação é uma instituição social e tem que ser gerida e estudada como tal.’ Em 1946, publica ‘O Conceito de Corporação’ (The Concept of Corporation), o que provoca a ira de executivos e presidentes das grandes empresas – as tais corporações – e acaba rotulado como esquerdista.

Henry Ford

“No entanto, cada vez mais fascinado com os EUA, inspirou-se em seu sistema de descentralização federal para propor um novo desenho organizacional para as empresas. Tratava-se da Estrutura Divisional, um modelo com alto grau de descentralização e que serviu de base para a diversificação de estratégias e para o estabelecimento de uma estratégia essencial. Esse modelo fazia oposição à vigente Estrutura Funcional

_ Tive a sorte de assistir a uma palestra do Peter Drucker há coisa de cinco anos num seminário em Houston, Texas. Falava sobre seu livro “O Gerente Eficaz” e o modelo de Administração por Objetivos... – comentou Guimarães ao pé do ouvido de Luciano.

Rockfeller (pai)

oil pump

- A tal da APO! – falou Luciano.

_ APO?! – exclamou Rogério, diante dos pedidos reiterados de silêncio.

_ APO de Administração por Objetivos... – respondeu baixinho Luciano.

_ Propõe o foco nos resultados, ao invés de ficar cuidando apenas da eficiência. – esclareceu Guimarães – Praticamente, uma mudança de foco do “fazer certas as coisas” para “fazer as coisas certas”.

Os três amigos haviam mudado seus assentos no evento e ficaram juntos até o final do dia. Ainda havia muito para ser comentado, o que se prolongou por alguns meses depois do seminário através de sucessivos e-mails entre eles e outras pessoas que seriam a base de uma comunidade de gestão e que discutiriam a aplicação em seus locais de trabalho.

Modelo Ford T

_ “Apesar das resistências – continuou o palestrante -, o modelo se estabeleceu na agenda das grandes empresas norte-americanas por vários motivos. O principal era o foco no cliente, contrapondo-se com a famosa e controvertida frases de Henry Ford: ‘As pessoas podem ter a cor que desejarem desde que seja preto’. Sua orientação era, portanto, para os produtos da empresa, permitindo especializações e, se avançado o processo, até customização. Descentralizadas, suas unidades possuíam autonomia de gestão e de decisão, prestando apenas contas dos resultados alcançados, deixando à holding – ou à Alta Administração – a função de unificadora estratégica da empresa. Assim, outro motivo foi permitir ao executivo principal cuidar dos assuntos de longo prazo e, portanto, estratégicos para a corporação. Eu trouxe aqui alguns slides para ilustrar esses conceitos druckerianos. Por exemplo, temos um case moderno de aplicação de estrutura divisional por produto num artigo da Cristina Calmon, do Jornal Valor, em 31/3/2001”.

O slide trazia o seguinte texto na íntegra:

“BRADESCO SEGUROS SE ORGANIZA E PREPARA TERRENO PARA CRESCER 17%”

"Em 2001, o Grupo Bradesco Seguros implantou quatro unidades de negócios – Auto, Vida e Previdência, Saúde e Capitalização. Foi criada uma unidade de negócios para cada tipo de produto. Assim, cada uma passou a ser responsável pelo desenvolvimento do produto, estratégias de mercado e gerenciamento das áreas técnica e comercial.”

_ “Da parceria com Peter Drucker, Sloan estabeleceu outros dois tipos de estrutura divisional. - prosseguiu o palestrante. Acabou a GM se transformando no tubo de ensaio desse modelo administrativo. Assim, além da estrutura por produto, foi concebida a estrutura divisional geográfica e a de mercado. A primeira ainda hoje é considerada a mais indicada às empresas que expandiram suas atividades para diversos mercados regionais e até mesmo internacionais. Coincidentemente, também o Jornal Valor publicou um artigo de Alexandre Teixeira em 6/3/2001 intitulado ‘Rearranjo da Coca-Cola deve render autonomia’. Tratou-se de uma profunda reestruturação administrativa da operação mundial da empresa, criando as unidades das Américas, da Ásia, uma Eurafricana e uma de Novos Negócios, entendendo-a como de novos mercados. Isso permitiu mais autonomia gerencial aos executivos no comando da Cia. em cada país”.

Outra quebra de paradigma, portanto: “pensar globalmente e agir localmente” daria lugar a “agir e pensar localmente”, preconizando uma filosofia de gestão descentralizada. Por fim, o palestrante citou o terceiro tipo de estrutura divisional.

_ “Nos seus 100 anos de fundação, o Grupo Klabin resolveu mudar sua estrutura para melhorar o processo decisório e dar mais agilidade aos desafios impostos pelos mercados. Na ocasião, exatamente em 8/8/1999, o Jornal Valor publicou um artigo de Nelson Niero intitulado ‘Klabin enfrenta o mercado de cara nova’ – até parece que sou garoto-propaganda do Valor, mas a verdade é que tem sido sempre uma boa fonte de informações sobre atualidades de mercado”.

E continuou:

_ “No artigo se dizia que a Klabin havia criado um comitê executivo com diretores das UNEGs – Unidades de Negócios – e os diretores corporativos, além das assessorias de auditoria, comunicação social e recursos humanos. Observem que essa estrutura consiste no agrupamento das funções-meio e atividades-fim demandado por grupos distintos de clientes – Florestal, Papéis, Embalagens de Papelão Ondulado e Sacos Industriais. Dessa forma, é o mercado que determina as divisões e departamentos. A Klabin é hoje a maior produtora, exportadora e recicladora de papéis do Brasil. Líder nos mercados de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado e sacos industriais, também produz e comercializa madeira em toras. Possui atualmente 17 unidades industriais no Brasil - distribuídas por oito estados - e uma na Argentina. Encerrou 2007 com lucro líquido de R$ 621 milhões, 31% superior ao de 2006".

Citados os tipos de estruturas divisionais criados por Drucker-Sloan, o palestrante começou a discorrer sobre combinações de função, de produto, de localidade e de mercados. A que mais chamou atenção de nossos amigos foi a estrutura matricial, que agrupa pessoas e recursos por função e por produtos/serviços, ao mesmo tempo. Apesar de manter uma estrutura funcional como base jurídica, as pessoas e os recursos são realocados temporariamente em equipes de projetos liderados por qualquer um dos órgãos envolvidos.


_ Pelo jeito, só uma estrutura desse tipo para conseguir implementar os nossos projetos de gestão lá na empresa...
– comentou Luciano.

_ Senhoras e senhores – anunciou o cerimonialista, diante das palmas para o palestrante – , vamos ter outro intervalo para que possam ir ao banheiro, tomarem um café... Enfim, retornaremos daqui há 30 minutos.

(continua na próxima semana)

nelsonss13-06-2008 GTM -3 @ 17:07
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GPP – Capítulo 2: O Almoço

_ Desde 2000, empresas do porte da IBM, da HP e da Texas Instruments têm se organizado por processos nos EUA com a finalidade de mudar seu desempenho empresarial, com foco no atendimento aos seus clientes e no resultado para seus acionistas. – atentou Guimarães, referindo-se aos seus contatos na América do Norte, cuja empresa onde trabalha possui algumas usinas siderúrgicas.

Executivo da área financeira de uma indústria metalúrgica com atuação no Brasil e outros países das Américas, Guimarães era acima de tudo um torcedor fanático pelo Fluminense; acreditava nas causas. Apresentado a essa tendência de gestão, Guimarães não estava certo da decisão a tomar a respeito da estruturação por processos e buscava um raciocínio que o ajudasse a decidir. Afinal, desde a década de 1980, a empresa vinha investindo em seu processo de internacionalização e estabelecendo programas de melhorias de desempenho para fazer frente a um mercado altamente competitivo. Adotara o conceito de alinhamento das práticas de gestão com as melhores do mundo.

O clima de São Paulo estava invariavelmente frio. As pessoas em seus trajes predominantemente em tons entre preto e marrom refletiam uma impressão fotográfica de sépia ao intervalo do evento. Os participantes se dirigiam a um salão contíguo ao das palestras. As paredes envidraçadas ampliavam a sensação de espaço naquele ambiente tão congestionado. Cumprimentos eram trocados a toda hora, muitas vezes interrompendo o fluxo das conversas. Dos três, Guimarães parecia muito mais bem relacionado. As pessoas que o reconheciam faziam questão de apertar-lhe as mãos, ato muitas das vezes hipócrita, mas de grande importância naquele mundo corporativo.

_ Esse conceito de processo não é nenhuma novidade na administração de empresas. – retomando o assunto. - O que o torna tão debatido ultimamente é seu aspecto de focar naquilo que pode ser feito e que agrada aos clientes finais.

_ Especialistas (1) já alertavam no fim da década passada que as empresas precisariam equilibrar a parte de produção com o marketing a fim de não quebrarem tentando agradar seus clientes ou prometendo-lhes aquilo que não podem cumprir. – comentou Rogério, demonstrando também ser um autodidata.

_ O importante é entendermos que não dá para sobrepor uma organização por processos numa organização que já funciona conforme o desenho funcional tradicional (2). – observou Guimarães.

_ Você está querendo dizer que precisaremos redesenhar as nossas atuais organizações estruturadas por tarefas para poderem funcionar melhor por processos? – questionou Luciano, bastante intrigado.

_ Sim, é o que eu acho... – completou Guimarães, diante dos olhares pensativos e atentos de seus colegas.

_ Isso só dá para acontecer se ficar bem claro para todos na empresa o que a faz funcionar bem a ponto de estar sobrevivendo no mercado... E, é claro, é impossível quando ninguém está disposto a uma nova maneira de fazer negócios. – acrescentou Rogério, se envolvendo mais na discussão.

_ Principalmente a direção!... – completou Luciano.

_ Mas isso porque sempre os especialistas acabam sugerindo iniciativas que, a princípio, comunicam a idéia de desperdício de tempo, esforço e dinheiro. – continuou Guimarães.

_ Tudo precisa ser muito bem esclarecido para evitar mal-entendidos... – alertou Luciano. - Lá na empresa, esse negócio de processo sempre fica confuso na mente dos gestores, uma vez que a seqüência de atividades nem sempre é visível.

_ Numa fábrica é mais fácil... – citou Guimarães.

_ Sim, estão todos vendo minério entrando de um lado e saindo lingotes de aço do outro. – completou Rogério.

_ Para as organizações prestadoras de serviços, mesmo dentro de uma fábrica, os processos costumam ser atividades lineares e não-lineares necessárias para as transações e no atendimento às expectativas declaradas dos clientes (3). – continuou Guimarães, quase pensando em voz alta.

_ E como podemos enxergar esses processos? No meu departamento, todo o trabalho de escritório fica visualmente restrito a um bando de pessoas e seus micros. Não dá para perceber nada que flui pelos cabos da rede informatizada. Como desenhar o deslocamento do trabalho que é realizado virtualmente? – inquiriu Luciano, já ansioso.

_ A gente chega perto da dicotomia de mundos paralelos, igual no filme “Matrix”, onde nos movimentamos nesse mundo físico enquanto nossas atividades integram um mundo virtual. – refletiu Guimarães com seu vasto conhecimento de mundo.

_ Isso até ser cuspido pela impressora para o mundo real! – tratou Rogério de trazer o grupo à realidade.

_ É, essa dificuldade de se enxergar os processos e, principalmente, distinguir os essenciais e os auxiliares... Não parece não, mas não é fácil. Li uma vez num artigo sobre a Belofio, uma fabricante paulista de fios e malhas de algodão, que demoraram coisa de 15 dias para entenderem seu processo principal. – comentou Luciano, pouco animado.

_ E qual era? – perguntou interessado Guimarães.

_ Não me lembro… - meditou Luciano, buscando na memória aquele artigo de quase dez anos atrás. - Tinha a ver com seus clientes...

_ Se o pessoal da tal fábrica demorou 15 dias para descobrir, você acha que o Luciano vai lembrar o que era?... – falou rindo nosso Rogério.

_ Desejam alguma bebida? – interrompeu o garçom.
Eles se olharam em cumplicidade, como se esperassem aquele eclipse que salvaria a todos naquela mesa.

_ Vocês servem vinho? – perguntou Rogério. – Posso ver a carta de vocês? – emendou, diante da afirmativa do garçom.

_ Pois não, senhor. Pedirei ao nosso “maitre” para melhor servi-los.

Dentre os três, Rogério não só se gabava de bom conhecedor dos aromas vínicos, como realmente era um enólogo dedicado. Há alguns anos, percorreu as vinhas do sul do Brasil até Santiago do Chile, numa excursão orientada pelo curso que freqüentava. Sobre isso, adotava sempre um tom de especialista. Principalmente quando divergiam sobre algum aspecto do vinho.

_ Essa temperatura média de São Paulo, em torno de quinze graus, é ideal para conservar o vinho. Não deve ser nem muito alta e nem baixa demais. No entanto, precisamos considerar o tipo de vinho que está sendo armazenado. Aliás, com esse tempinho, uma boa pedida seria um Cabernet Sauvignon... - disse ele, preparando-se para sua oratória acerca da qualidade das uvas e da origem do vinho; as mesmas citações poéticas – “Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram”, já dizia Cícero.

_ Guimarães, como está a Fernanda? – redirecionou Luciano.

_ Fernanda?! Vai bem.

_ Ainda não desistiu não? – aproveitou Rogério, refeito da expressão afetada de degustador, para implicar como o amigo recém-casado.

_ Como desistir?! Nunca vi mulher tão apaixonada!...

_ Eu estou falando do Fluminense... – remendou rindo, diante da expressão do Guimarães, como uma criança flagrada no meio da noite diante do pote de doces.

_ É mais fácil ela desistir de mim... – brincou.

_ Viu? Quem mandou casar com uma fanática?... – insistia Rogério.

_ Você está querendo dizer “com uma pessoa tão parecida comigo”, não é?

Todos riram, enquanto o serviço de vinho começava. Aliás, a escolha foi por um Terrazas de los Andes 2003. E, claro, para acompanhar, uma boa massa italiana!

Nota do Editor:
(1) TENDICK, Jeffrey. Managing change or leading change… wich way are you going to go? [1999]. Disponível na Internet: www.mattlorenz.com.
(2) HAMMER, M., STANTON, S. How process enterprises really work. Harvard Business Review, v. 77, n. 6, p. 108-118, Nov./Dec. 1999.
(3) RAMASWAMY, Rohit. Design and management of service process. Reading: Addison Wesley, 1996.

(continua na próxima semana)

nelsonss06-06-2008 GTM -3 @ 17:50
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GPP – Capítulo 1: O Encontro

Qual é a diferença entre as organizações tradicionais e aquelas estruturadas por processos? A primeira - óbvio - está na própria formulação da pergunta, ou seja, as organizações estruturadas por processos são mais modernas e, ao contrário de como o termo "processo" possa remeter a gerenciamento de rotinas, elas conseguem ser mais dinâmicas e ágeis, porque ações de melhoria contínua e gestão de mudanças são inerentes a elas.
Num encontro de negócios, três executivos se encontraram durante o coffee break do primeiro dia e, reconhecendo um ao outro, aproveitaram para se confraternizarem e trocarem experiências.
_ Continua torcendo por aquele time, Guimarães? – provocou Rogério.
_ Ao contrário do que o palestrante falou agora de manhã, sou da política de que “em time que se está ganhando não se mexe...”
_ E quem falou que o seu time está ganhando? – retalhou Luciano.
_ Ora, seu...
A discussão foi educadamente interrompida pelo convite da bela recepcionista para regressarem à plenária. O evento prosseguia com outra palestra sobre crescimento empresarial, proferida por Dwight Gertz, autor do livro “Crescer para Lucrar Sempre – Desvendando os Mitos do Crescimento”, da Editora Campus, e consultor da Mercer Management Consulting, um grupo multinacional especializado em crescimento das organizações.
_ “Crescer tem sido um dos maiores desafios das empresas nos últimos anos. É fato que entre 1988 e 1993 metade das organizações da relação Fortune 1000 não conseguiu acompanhar o PIB dos EUA mais sua inflação. Uma tomada de novo posicionamento mudou esse cenário até nova crise provocada pelas especulações imobiliárias. A fórmula encontrada reunia um crescimento com três horizontes distintos, inclusive o curto prazo, um programa por etapas e o foco em crescimento. Para falar-nos um pouco sobre esse instigante assunto, recebam o vice-presidente da Mercer, o Sr. Dwight Gertz.” – introduziu o cerimonialista.
_ Todos nós queremos que nossas empresas cresçam... – pensou Rogério em voz alta.
_ “... Para descobrir como fazer sua empresa crescer, os executivos devem passar mais tempo com aqueles que mais têm condições para avaliá-los, que são seus clientes atuais. Devem perguntar o que eles querem.
Isso é possível até para aquelas que atuam em mercados estáveis e deveria ser parte do processo de melhoria contínua da empresa. Afinal, tem tudo a ver com o processo de inovação e é difícil imaginar um segmento em que não seja possível inovar.” – introduziu o palestrante (1).
Diante do silêncio providencial de Dwight, os nossos três amigos ficaram refletindo sobre a última frase dita: “... é difícil imaginar um segmento em que não seja possível inovar.”
O mais novo do grupo era Rogério. Ele era responsável pela área de contratações de uma grande empresa de engenharia com atuação internacional. A maioria dos empreendimentos ocorria no Brasil, mas já com relativa presença em países da América Latina e da África. Principalmente naqueles onde os conflitos normalmente geravam demandas de construções e infra-estruturas. Seu desafio era manter-se no mercado diante de uma crescente onda de ética e transparência, notadamente nos países recém democratizados, onde o lobby como tráfico de influência não era mais a prática adotada. Queria, pelo menos, organizar sua área por processos, mas não tinha uma noção clara dos passos a seguir e das providências que deveriam ser tomadas. Por isso, estava inscrito no seminário.
_ Muitas vezes as empresas encontram oportunidades de crescimento em outros mercados geográficos. Quais são os riscos de tentar entrar neles sem conhecê-los profundamente? – reportou Guimarães ao palestrante, no módulo de Perguntas e Respostas.
_ “Em geral, para as empresas de porte médio do ponto de vista internacional, os riscos da expansão geográfica para regiões desconhecidas são maiores do que os benefícios. Nos Estados Unidos há muitas companhias que não conhecem devidamente os mercados estrangeiros para fazerem negócios de forma inteligente. Talvez isso se deva ao fato de o mercado interno ser muito grande, mas a verdade é que elas não têm plena consciência do que acontece além das fronteiras do país. Estou convencido de que quase todas as companhias têm oportunidades de crescimento em seu lugar de origem, oportunidades que ainda não foram exploradas e, sem dúvida, são menos arriscadas. Para as empresas que acreditam já ter explorado todas as oportunidades possíveis em seu país e que pensam que chegou a hora de se expandir, eu aconselharia que tentassem entrar no novo mercado junto com um sócio que conheça o segmento local muito bem.” Respondi sua pergunta?
_ Plenamente. – assentiu Guimarães. Muito obrigado!

Nota do Editor:
(1) extraído da entrevista publicada em HSM Management, nº 12, ano 2, jan-fev/1999.

(continua na próxima semana)

nelsonss30-05-2008 GTM -3 @ 12:13
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