GPP – Capítulo 1: O Encontro
Qual é a diferença entre as organizações tradicionais e aquelas estruturadas por processos? A primeira - óbvio - está na própria formulação da pergunta, ou seja, as organizações estruturadas por processos são mais modernas e, ao contrário de como o termo "processo" possa remeter a gerenciamento de rotinas, elas conseguem ser mais dinâmicas e ágeis, porque ações de melhoria contínua e gestão de mudanças são inerentes a elas.
Num encontro de negócios, três executivos se encontraram durante o coffee break do primeiro dia e, reconhecendo um ao outro, aproveitaram para se confraternizarem e trocarem experiências.
_ Continua torcendo por aquele time, Guimarães? – provocou Rogério.
_ Ao contrário do que o palestrante falou agora de manhã, sou da política de que “em time que se está ganhando não se mexe...”
_ E quem falou que o seu time está ganhando? – retalhou Luciano.
_ Ora, seu...
A discussão foi educadamente interrompida pelo convite da bela recepcionista para regressarem à plenária. O evento prosseguia com outra palestra sobre crescimento empresarial, proferida por Dwight Gertz, autor do livro “Crescer para Lucrar Sempre – Desvendando os Mitos do Crescimento”, da Editora Campus, e consultor da Mercer Management Consulting, um grupo multinacional especializado em crescimento das organizações.
_ “Crescer tem sido um dos maiores desafios das empresas nos últimos anos. É fato que entre 1988 e 1993 metade das organizações da relação Fortune 1000 não conseguiu acompanhar o PIB dos EUA mais sua inflação. Uma tomada de novo posicionamento mudou esse cenário até nova crise provocada pelas especulações imobiliárias. A fórmula encontrada reunia um crescimento com três horizontes distintos, inclusive o curto prazo, um programa por etapas e o foco em crescimento. Para falar-nos um pouco sobre esse instigante assunto, recebam o vice-presidente da Mercer, o Sr. Dwight Gertz.” – introduziu o cerimonialista.
_ Todos nós queremos que nossas empresas cresçam... – pensou Rogério em voz alta.
_ “... Para descobrir como fazer sua empresa crescer, os executivos devem passar mais tempo com aqueles que mais têm condições para avaliá-los, que são seus clientes atuais. Devem perguntar o que eles querem.
Isso é possível até para aquelas que atuam em mercados estáveis e deveria ser parte do processo de melhoria contínua da empresa. Afinal, tem tudo a ver com o processo de inovação e é difícil imaginar um segmento em que não seja possível inovar.” – introduziu o palestrante (1).
Diante do silêncio providencial de Dwight, os nossos três amigos ficaram refletindo sobre a última frase dita: “... é difícil imaginar um segmento em que não seja possível inovar.”
O mais novo do grupo era Rogério. Ele era responsável pela área de contratações de uma grande empresa de engenharia com atuação internacional. A maioria dos empreendimentos ocorria no Brasil, mas já com relativa presença em países da América Latina e da África. Principalmente naqueles onde os conflitos normalmente geravam demandas de construções e infra-estruturas. Seu desafio era manter-se no mercado diante de uma crescente onda de ética e transparência, notadamente nos países recém democratizados, onde o lobby como tráfico de influência não era mais a prática adotada. Queria, pelo menos, organizar sua área por processos, mas não tinha uma noção clara dos passos a seguir e das providências que deveriam ser tomadas. Por isso, estava inscrito no seminário.
_ Muitas vezes as empresas encontram oportunidades de crescimento em outros mercados geográficos. Quais são os riscos de tentar entrar neles sem conhecê-los profundamente? – reportou Guimarães ao palestrante, no módulo de Perguntas e Respostas.
_ “Em geral, para as empresas de porte médio do ponto de vista internacional, os riscos da expansão geográfica para regiões desconhecidas são maiores do que os benefícios. Nos Estados Unidos há muitas companhias que não conhecem devidamente os mercados estrangeiros para fazerem negócios de forma inteligente. Talvez isso se deva ao fato de o mercado interno ser muito grande, mas a verdade é que elas não têm plena consciência do que acontece além das fronteiras do país. Estou convencido de que quase todas as companhias têm oportunidades de crescimento em seu lugar de origem, oportunidades que ainda não foram exploradas e, sem dúvida, são menos arriscadas. Para as empresas que acreditam já ter explorado todas as oportunidades possíveis em seu país e que pensam que chegou a hora de se expandir, eu aconselharia que tentassem entrar no novo mercado junto com um sócio que conheça o segmento local muito bem.” Respondi sua pergunta?
_ Plenamente. – assentiu Guimarães. Muito obrigado!
Nota do Editor:
(1) extraído da entrevista publicada em HSM Management, nº 12, ano 2, jan-fev/1999.
(continua na próxima semana)

Do Melhor
Linkk
del.icio.us