Nem só de pão vive o homem
nelsonss @ 21:40
Quem acha que só os artistas precisam cultivar a criatividade está muito enganado. Freqüentemente, nós somos desafiados pelos nossos superiores para planejarmos e desenvolvermos algum projeto. Principalmente um projeto novo, sem precedentes. Aí dá um branco; procuramos costurar um monte de informações e ver qual será a cara do Frankenstein. Ou pior, quando existem vários projetos semelhantes acontecendo ou que terminaram inacabados. A vontade é compará-los e identificarmos algum ponto comum de maneira a partirmos dele para algo revolucionário. E onde encontrar esse ponto, já que são tantas as semelhanças - a gente acaba se perdendo, sem foco. O foco tem de ser concentrado na idéia. Ela é o instrumento mais efetivo de diferenciação. Porém, para ter boas idéias, é necessário ter a criatividade bem desenvolvida, estimulada e valorizada.
O importante é, sem dúvida, se municiar de informações: ouvir as pessoas, ler relatórios e artigos sobre o assunto, procurar entender o que o cliente espera com isso (etapa difícil quando se é o seu chefe!), arriscar algumas teses e... travesseiro. Isso mesmo, travesseiro. Vá dormir um pouco, assista um bom filme, brinque com as crianças, apaixone-se novamente (ou renove seus votos de amor), passeie, faça compras, vá ao shopping ouvir o pensamento das pessoas. Ou seja, descongestione sua mente, porque ela já tem tudo que precisa para gerar uma solução, menos espaço. Dê o espaço de que você - e ela, sua mente - tanto necessita. Aliás, recompense-a por ter aturado tanta informação.
As pessoas de todo o tipo, sejam planejadores, padeiros, pedreiros ou pastores, precisam valorizar os exemplos bem-sucedidos da música, do esporte e do cinema para melhorarem suas participações no Índice Global da Classe Criativa. Precisamos romper aqueles velhos padrões adotados na economia da chamada Era Industrial e considerarmos seriamente as oportunidades de se desenvolver a nova Era da Criatividade. Um professor da Escola de Políticas Públicas da George Mason, na Virgínia (EUA), trata em seu mais recente livro "O Vôo da Classe Criativa" (Harper Business - 2005), sobre um ranking de 45 países pesquisados quanto a esse Índice Global da Classe Criativa. Os resultados apontam que o Brasil só ganha do Peru e da Romênia, ou seja, fica na 43ª posição. "Vocês precisam começar a pensar a economia brasileira de uma nova forma. Pensar nela de um jeito holístico, como uma economia criativa. E a partir daí começar a compreender suas forças e suas fragilidades", diz Richard Florida.
Um CEO de uma gigante internacional da publicidade uma vez comentou sobre nós: “vocês são muito, muito bons, só lhes falta autoconfiança”. Isto também é verdade. Precisamos acreditar mais nas nossas idéias e ousar apresentá-las. Um time de futebol pode garantir a vitória pelo número de vezes que chuta para o gol do adversário...
Talento, tecnologia e tolerância são os componentes que determinam o Índice Global da Classe Criativa, o que prova que alguns países, como Suécia, Japão, Finlândia e EUA, são mais capazes que os demais países de produzir tecnologia e pesquisa, atrair, reter e cultivar cidadãos criativos e produzir um ambiente satisfatório para que suas idéias inovadoras sejam executadas e, desta forma, a economia prospere.
Para exemplificar a atitude de desenvolvimento da criatividade para servir aos propósitos de nossos negócios, poderia citar uma enorme galeria da fama. Escolhi Washington Olivetto porque é um dos empresários mais famosos do Brasil e com uma popularidade construída graças à imaginação. Ele também é um dos melhores mestres em criatividade que qualquer executivo, de qualquer área de atividade, poderia encontrar. Para ele, é essencial continuar tomando ônibus de vez em quando para ouvir o que as pessoas estão falando na vida real. A impressão que transmite Olivetto sobre a raiz do problema é que as pessoas tendem a conviver exageradamente com sua atividade profissional e se distanciam da vida real. Publicitários têm a tendência a andar com publicitários, jornalistas andam com jornalistas, médicos com médicos, contadores com contadores, executivos de uma empresa com seus colegas. A diversidade é necessária, tanto nas profissões quanto em relação a nacionalidades, regionalidades, culturas, homens e mulheres (e também outras opções sexuais) etc. Almoçar sempre com as mesmas pessoas pode limitar seus horizontes, além de gerar dependências emotivas: "_ tudo bem! Você preferiu trocar seus colegas de trabalho por aquele pessoal do outro departamento, né?".
Além da diversidade, outro fator de geração de idéias é a co-autoria. Podemos envolver alguns seres pensantes com a mesma questão, compartilhando nossos problemas e pedindo-lhes sugestões. As pessoas gostam, porque no íntimo sabem que é melhor ser co-autor de alguma coisa brilhante do que autor solitário de algo medíocre.
O que você está esperando? Já foi contar para um amigo o que pensa em fazer? Pelo menos, sobre a expectativa de seu cliente?... Ou tem alguma idéia melhor?

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