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O feitiço de Áquila: rotina versus projeto

nelsonss @ 19:07

Constantemente encontramos profissionais de gestão confusos em seus discursos quanto a rotina e projeto. Só para ilustrar, uma empresa convidada para apresentar uma proposta sobre implantação de gestão de processos encontrou num chefe que tive a alguns anos percepções equivocadas e cheias de lacunas. Numa hora o convidado falava sobre o conteúdo da gestão de processos como o gerenciamento da rotina, noutra se referia ao projeto, mas não falava de data final. Em algum momento, citou a duração de 24 meses e aí meu chefe pulou da cadeira:
_ Dois anos é muito pouco tempo para eu investir e depois abandonar. Esse projeto tem que durar, pelo menos, cinco anos para podermos amortizar todo o investimento e as mudanças que serão necessárias.
Ficou claro que alguma coisa faltou, tornando obscuro o entendimento. Supor que o cliente já possua o conhecimento da diferença entre rotina e projeto foi o grande erro daquele representante técnico, que acabou logrando a proposta. Mas muitas vezes cometemos erros semelhantes... Numa conversa com pessoal de fora da empresa, quando citamos as siglas de departamentos e gerências que, muitas das vezes, nada tem de lógico. Numa apresentação do painel de bordo dos indicadores da nossa gerência, onde escrevemos, falamos e ilustramos os IDACs, IBECs, ITINs e outros tantos índices que formulamos para avaliarmos o desempenho. Ou mesmo, quando nos referimos aos incomensuráveis programas, projetos e sistemas de TI, como o SAP, o Notes, o SPED e outros mais.
Tentando ajudar aquele rapaz no impasse criado, lembrei-me do filme "O feitiço de Áquila". Nele, no período da Idade Média, um casal de amantes enfrenta um poderoso bispo, que é o responsável por uma maldição impedindo a realização do amor entre os dois. De dia Isabeau sempre será um falcão e de noite Navarre toma a forma de um lobo, sendo que desta forma fica o casal impedido de se entregar um ao outro. Retornando à sala de reuniões de meu chefe, era importante esclarecer que os projetos fazem parte do dia, como falcões, com a velocidade e otimização necessárias para alçarem vôo; existe o momento de bater asas e voarem, mas esse período é limitado ao momento do pouso. Por maior habilidade que tenham essas aves, elas não voam o tempo todo. Assim como seus vôos não ocorrem pelo acaso nem por uma obrigação cotidiana. Voam determinadas em alcançarem objetivos mais imediatos. No filme, quando se encerrava o dia, o herói deixa de ser humano para tomar a forma canina. A metáfora é que o momento do projeto concluído dá lugar ao processo, na forma de rotina. Nessa linha, os dois não se encontram nunca.
Os dois anos que o consultor estava falando era o tempo para desenvolvimento do projeto e, com certeza, o produto gerado representaria um processo contínuo e perene, onde talvez cinco anos ainda fosse pouco tempo.
Mesmo que não citemos filmes em momentos de tensão com nossos clientes, a experiência lúdica muitas das vezes nos proporciona saídas que as palavras não conseguem dar.


Do Melhor Linkk | del.icio.us

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